segunda-feira, 12 de maio de 2008
terça-feira, 6 de maio de 2008
Ensaio Sobre a Vontade De Qualquer Coisa
De todos os frutos do inevitável, sublime e grotesco casamento entre o mundo e a vida, o desinteresse é o que mais me deixa absorto em pensamentos. Desinteresse, assim, tão simples e vazio quanto a própria palavra que o descreve. Tantas pessoas, cadeiras, afetos, ruídos, calçadas, olhares e tonalidades por aí, a cada minuto do dia, a mercê dessa falta de vontade que nos surpreende. Dessa ausência de ganas espontâneas. Impossível evitar o momento em que o encanto se esvai pernas abaixo. E todos são vítimas disso. Alguns, mais prevenidos, com seus corações de pedra, fazem pouco caso e seguem adiante. Outros, coitados, mais frágeis, acabam ficando boquiabertos, sem saber como e por que agir. Continuam andando a passos inseguros até a próxima esquina, onde finalmente conseguem perceber o que se sucedeu. Tomam coragem, olham para trás e vêem suas antigas relíquias, derretidas numa calçada cinza. E o mais curioso é que essa situação não te causa nada além de um sentimento de alívio. Alívio e leveza por não ter o dever de carregar aquilo, o que quer que seja, consigo. O desinteresse é bem pertinente e esperto, aparecendo quando a gente menos espera.
Acabo de ser vítima dele, perdi o interesse em discursar sobre as circunstâncias do desinteresse.
Acabo de ser vítima dele, perdi o interesse em discursar sobre as circunstâncias do desinteresse.
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